Inverno dolorido.

Não nos preocupava muito com as estações, o que importava para nos era chegar a tarde e ir pro campinho que ficava no gramado onde era a antiga igrejinha de madeira.
Depois que construíram uma outra de material em um lugar de mais fácil acesso aos seus adeptos, ficou apenas o gramado, onde nós construímos um campinho de vinte quatro por quatorze; ali era nosso ponto de encontro de todas as tardes, jogávamos ate escurecer. Com toda essa euforia de jogar toda tarde nem demos conta que o inverno agora havia chegado, e não era bem vindo, mas estava ali com manhãs e noites insuportáveis, principalmente para nós que não tínhamos agasalhos adequados e muito menos calçados para enfrenta-lo.
Pela manhã levantávamos e tínhamos que ir até ao riacho se preparar para ir para escola, que ficava vinte quilômetros de distancia, os pés apenas nos chinelinhos e shorts e camisetas em um frio de oito graus.
Assim seguíamos a vida sentido dor de frio ate chegar a primavera. Noites sem dormir por causa do frio, tardes que depois do campinho tínhamos que enfrentar água gelada da cachoeira para banhar-se antes de entrar em casa e correr para perto do fogão a lenha. Mas todos sobrevivemos aqueles doloridos inverno na infância.


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