Lembranças felizes.
Era sábado dia de feira na pequena cidade do interior, chegávamos cedo e íamos descendo pela rua cruzando pelas barraquinhas montadas; cada uma expunha seus produtos, frutas, verduras, roupas: mais o que nos gostávamos era da barraquinha do pastel e calde-de-cana, que ficava quase no final da feira. Comprávamos um pastel e algumas mangas, e nos dirigíamos para praça perto da igreja matriz; gostávamos de sentar na calçada da igreja que era bem elevada, construção antiga feita por escravos.
Ao lado da igreja havia uma banca de revista que era do pai de um amigo nosso, aproveitávamos para ler gibis quando o pai dele não estava, porque ai poderíamos devolver sem ter que comprar. Como só viajávamos de ônibus e que tinha três horários, deixávamos para ir no ultimo horário que era as dezessete e trinta; então aproveitávamos cada minuto na pequena cidade, íamos na quadra onde estudávamos jogar: os times eram montados conforme a bola que aparecia, se bola fosse de basquete, time de basquete, se vôlei, montávamos a rede, se futebol de salão que se apresentava nos resolvia. Enfrente o ginásio do Abu-Yaghi tinha uma sorveteria, sentávamos na calçada e comprávamos picolé. Éramos um grupo de meninos e meninas de uma coesão imprescindível; todos por todos sem exceção. o tempo e as responsabilidades foram separando cada um para seu caminho. Aquela alegria e disposição foram sendo trocadas por falta de tempo, ate que todos partiram para bem distante. Ficaram as lembranças e o carinho no coração de cada um, esperamos um dia nos encontrar novamente; como! não sei! mas sei que com muitos nos encontraremos um dia em outros lugar. Uma coisa sei que a praça e o ginásio ainda estão lá depois desses cinquenta anos.

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